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terça-feira, 2 de agosto de 2011


Em entrevista ao “Spiegel”, o padre jesuíta Klaus Mertes fala sobre a resposta da igreja ao escândalo sexual e sua revolta com o Vaticano.

O padre jesuíta Klaus Mertes, diretor do Colégio Canisius de Berlim, gerou ondas de choque pela Igreja Católica Alemã em janeiro de 2010 quando expôs o abuso sexual sistemático na escola de elite.

Confira entrevista abaixo:

Pergunta: Padre Mertes, um ano e meio após o senhor revelar o abuso sexual de alunos da escola em Berlim, os bispos católicos iniciaram um diálogo com os frequentadores da igreja na cidade de Mannheim, no Leste da Alemanha. Essa iniciativa não está muito atrasada?

Mertes: O copo sempre está meio cheio ou meio vazio. Acho bom que o diálogo tenha começado.

Pergunta: Qual é o sentido de tais conversas quando pessoas como o arcebispo de Colônia, Joachim Meisner, figura conservadora importante na Igreja Alemã, nem aparecem?

Mertes: Essa pergunta parece derrotista para mim. Seria maravilhoso se o papa dissesse algumas palavras de encorajamento sobre o processo de diálogo em um futuro próximo.

Pergunta: A Igreja católica aprendeu alguma coisa com todo o escândalo de abuso?

Mertes: Só o que eu posso dizer é o que eu aprendi. Eu reagiria muito mais rapidamente e ofensivamente aos rumores de abuso no futuro.

Pergunta: O senhor teve as primeiras pistas anos atrás, mas não as revelou ao público na época. Por que o senhor demorou tanto a reagir?

Mertes: Eram rumores. Quando eu perguntava aos ex-alunos ou professores a respeito, me deparava com silêncio ou agressão. Eu tive que lidar com os rumores sobre um padre na minha ordem em 1996. Depois daquilo, outro padre, que hoje está morto, gritou comigo de uma forma que nunca ninguém havia gritado. “Sei exatamente o que você quer”, disse ele. “Você só quer atormentar seus irmãos”.

Pergunta: Ficou mais fácil para os membros da Igreja conversarem sobre o abuso?

Mertes: Ficou mais fácil para alguns, mas infelizmente não para muitos. Nós fizemos pouco da violência sexual e a mantivemos em silêncio por tempo demais. Foi pelas vítimas que descobri, no início de 2010, que os perpetradores planejavam seus crimes sistematicamente. O silêncio dentro do grupo e na escola funciona como uma espiral: há silêncio sobre o abuso e silêncio sobre o silêncio. Isso leva a uma estrutura de seita no relacionamento entre perpetradores e vítimas, cujos sintomas são desconsiderados ou minimizados no ambiente social.

Pergunta: Por quê?

Mertes: Os jovens mantêm silêncio por medo, e porque não querem perder seu relacionamento próximo com os perpetradores e a sensação de pertencer ao grupo. Há uma espécie de ambivalência insana nos casos de abuso. Há um desejo enorme de não ser rejeitado e também há uma sensação de ser especial como resultado de fazer parte do grupo –apesar das incríveis violações.

Pergunta: O senhor explica em termos tão casuais.

Mertes: Em 2006, quando recebi o primeiro documento que descrevia o abuso cometido por outro padre, fiquei chocado. Passei noites sem dormir e era constantemente perseguido por imagens que invadiam os meus sonhos: imagens de adolescentes forçados a ficarem nus, que apanhavam por duas horas com vassouras, cintos e chicotes.

Pergunta: Por que, então, levou anos para tomar uma atitude?

Mertes: Houve consequências neste caso em particular. Informamos imediatamente o perpetrador à polícia. Mas não publiquei o caso porque me pediram que fosse discreto. Eu me acalmei dizendo que era apenas um caso isolado. Mas hoje sei que não.

Pergunta: Nesses anos, a Igreja Católica não deu a impressão de que desejava resolver os casos de abuso.

Mertes: Não. E eu sempre tive o cuidado em dizer que poderia resolver (esses casos), porque passei pela luta interna necessária para se romper o silêncio. Alcancei este ponto em janeiro de 2010, após ter conversas com três vítimas. Um dos momentos mais emocionantes aconteceu poucos meses mais tarde, em uma reunião com os ex-alunos. Havia cerca de 40 homens adultos, alguns deles com suas mulheres ou parceiros, sentados na minha frente me contando o que acontecera a eles. Foi incrivelmente doloroso de ouvir. Fiquei com um bolo na garganta e os olhos cheios de lágrimas. Em um caso, o perpetrador tinha hipocritamente associado seu abuso a uma bênção, dizendo à vítima: “Você é o filho amado de Deus”. Isso me abalou até a alma.

Pergunta: Em abril de 2010, o cardeal italiano Angelo Sodano referiu-se aos eventos na Alemanha como a “fofoca do momento”.

Mertes: Isso é inacreditável. Fiquei chocado que alguém pudesse dizer isso, e tenho vergonha dessas palavras até hoje.

Pergunta: O senhor reclamou?

Mertes: Não. Tampouco tinha força para lidar com a questão. Fui confortado pelo fato de o cardeal de Viena, Christoph Schönborn, tê-lo contradito publicamente. Eu fiquei extremamente agradecido por isso.

Pergunta: Tanto os jesuítas quanto a conferência de bispos ofereceram às vítimas de abuso até 5.000 euros (em torno de R$ 12.000) de compensação. Não é uma oferta miserável, dada a natureza traumática de algumas das experiências das vítimas?

Mertes: A ideia é transmitir a mensagem que não estamos apenas emitindo um pedido de desculpas. Os jesuítas deliberadamente optaram por um pagamento único porque, como representantes dos perpetradores, não podemos fazer o papel de juízes e começar a medir o sofrimento. Muitas vítimas acham a quantia inapropriada. Eu tenho que lidar com isso.

Pergunta: Por que o senhor não ofereceu mais?

Mertes: Usamos como base a soma básica estabelecida pela Conferência de Bispos da Áustria. Em alguns casos, estamos pagando somas adicionais para apoio ou custos de terapia.

Pergunta: Quantos ex-alunos aceitaram a oferta?

Mertes: De cerca de 200 vítimas, 54 se inscreveram até hoje e 30 já receberam os pagamentos. O processo ainda está em curso.

Pergunta: Os perpetradores foram punidos ou estão mortos, e as vítimas estão sendo compensadas. Isso coloca um fim ao escândalo?

Mertes: Demos alguns passos, mas ainda há um longo caminho. Um bispo auxiliar recentemente deu um sermão em uma instalação de uma igreja no qual, referindo-se à imprensa alemã, ele lamentou: “Fizemos tudo, até demos compensação, e ainda assim estão insatisfeitos”. Esse tipo de reclamação está aumentando e prejudica os ouvintes. É inadequada e perigosa. Afinal, ainda não respondemos à questão de como temos que mudar para podermos ouvir melhor quando as vítimas de abuso quiserem falar. Será que temos a capacidade de ouvir um jovem que sofreu abuso?

Pergunta: Talvez essa mudez por parte das vítimas também tenha a ver com o tratamento que a Igreja dá ao assunto da sexualidade.

Mertes: Há discordância sobre a questão se de fato há mudez no assunto da sexualidade. Acredito que este silêncio pode ser superado se concordarmos que há uma mudez. Essa postura de não querer falar sobre isso tem que mudar.

Pergunta: Por que é tão difícil para a Igreja?

Mertes: Quando alguém quer falar sobre sexualidade, os líderes começam a temer perder o controle do debate. No final, é medo de perder o poder. Fazemos perguntas. A resposta é um silêncio enorme.

Pergunta: Quais são as perguntas?

Mertes: O que, por exemplo, digo a uma criança que é seduzida ou forçada à masturbação e agora acha que é uma pecadora mortal? Tais problemas acontecem na prática, e deveria ser possível falar sobre eles.

“Estou revoltado porque vejo como as pessoas do alto olham em silêncio”

Pergunta: Com tais demandas, o senhor é considerado um tipo de traidor.

Mertes: Não sou traidor. Chamo atenção para algo que aprendi como resultado dos casos de abuso. Temos que olhar para nós mesmos de forma diferente como igreja. Temos que descobrir o que leva ao silêncio. Essa é a questão central das vítimas.

Pergunta: O senhor é repreendido por parte de outros católicos?

Mertes: Sim, com mensagens de ódio na forma de e-mails e cartas. Todos se resumem à acusação de deslealdade e de dividir a Igreja.

Pergunta: Mesmo entre os membros da igreja, o senhor é visto como aquele que levou a Igreja a esta confusão.

Mertes: Não todos. Georg Sterzinsky, cardeal de Berlim que morreu recentemente, me apoiou desde o início. Mas houve outras reações. Durante a viagem ao Vaticano no ano passado, um dos meus professores disse ao cardeal que vinha do Colégio Canisius em Berlim. O cardeal ficou muito irritado e disse que este Mertes deveria ser expulso da Igreja. Mas eu posso viver com isso. O que me preocupa mais é que partes da hierarquia se curvam a esses falastrões, porque têm medo de também serem repreendidos. Há oportunismo na hierarquia em relação a uma minoria que se acha dona da verdade.

Pergunta: O senhor acha difícil permanecer leal à Igreja?

Mertes: Sou agradecido à Igreja por minha fé, pelas preces, pela liturgia e pelo Evangelho. Os padrões pelos quais tento viver vêm do Evangelho. Não me permito ser privado disso por uma facção de pessoas que fala mal de mim e alega estar fazendo um favor à Igreja. A Igreja Católica é muito maior que um grupo de católicos provocadores.

Pergunta: O que o senhor chama de católicos provocadores?

Mertes: Eles veem toda crítica como deslealdade e denunciam as pessoas que têm questões expressando suspeitas sombrias. Eles pensam em termos de lados. Minha preocupação é que eles encontrem um ouvido na hierarquia. É especialmente duro que Roma esteja acatando as denúncias. Aqueles que submetem tais denúncias recebem a proteção do anonimato. Eles podem agir no escuro. Recebem importância do alto.

Pergunta: O papa é tolerante demais com esse movimento?

Mertes: Estamos falando da hierarquia em Roma. Não quero julgar o papel que o papa tem nisso tudo.

Pergunta: Há aparentemente um documento que veio do Vaticano no qual políticos católicos proeminentes, como o ex-ministro da saúde Heiner Geissler e a atual ministra da educação, Annette Schavan, são fortemente criticados e pondera-se uma possível divisão, porque há um movimento tão forte pela reforma na Alemanha.

Mertes: Os que atacam Schavan e outros católicos importantes têm um problema espiritual e intelectual.

Pergunta: Esse tipo de documento só pode rodar no Vaticano com o consentimento do papa.

Mertes: Alguns no Vaticano já falaram contra e se distanciaram disso.

Pergunta: O que o senhor espera da visita do papa a Berlim em setembro?

Mertes: Não muito. Gostaria de ver um gesto ecumênico. Gostaria de ver o papa se estender para a Igreja Católica na Alemanha.

Pergunta: O senhor não acha que isso vai acontecer, realmente?

Mertes: Fico revoltado porque vejo como os que estão no alto olham em silêncio e como algumas pessoas na Igreja estão atacando os outros cada vez mais agressivamente acusando-os de dividir a Igreja, especialmente quando estão envolvidos em associações, conselhos ou até no Comitê Central de Católicos Alemães. Isso poderia ter sido resolvido com um decreto e colocando um fim ao silêncio.

Pergunta: O que mais o papa poderia fazer para ajudar os católicos alemães?

Mertes: Oferecer respostas pastorais muito específicas. Vejo grande aflição entre muitos que se divorciam e voltam a se casar, ou entre casais de diferentes religiões, que não têm permissão de aceitar o Corpo de Cristo (a comunhão) juntos em nossa Igreja. Mudar isso seria um primeiro passo muito grande e teria muitas consequências. Também vejo grande aflição entre muitos homossexuais na Igreja católica, apesar de haver uma proibição clara de discriminação de homossexuais expressa na doutrina católica.

Pergunta: Cerca de 2,6 milhões de católicos deixaram a Igreja desde 1990, 180.000 só no ano passado. Os líderes da Igreja não veem mais isso?

Mertes: Veem. Mas há grupos que até celebram essa debandada, acham que é bom, porque faz encolher a Igreja de forma saudável, de forma que apenas verdadeiros católicos ficam. Perder o contato com a realidade também se relaciona com redefinir a realidade. Observei uma grande exaustão e um senso profundo de resignação em muitos católicos, porque quando eles tentam falar, se confrontam com um muro de silêncio em torno de um mundo paralelo. E então, é claro, também há um exercício brutal de poder.

Pergunta: Por exemplo?

Mertes: Um padre falou sobre estupro em um sermão recente para uma congregação em uma diocese alemã. Ele alegou que as mulheres também seduzem os homens. Quando algumas pessoas saíram em protesto, o pastor disse: “Podem ir. O Diabo está esperando por vocês aí fora!” Ele teve que se desculpar mais tarde, mas esse tipo de coisa afasta as pessoas.

Pergunta: No próximo ano escolar, o senhor estará se mudando do Colégio Canisius em Berlim para a escola jesuíta de St. Blasien na Floresta Negra no Sul da Alemanha. O senhor está se retirando do debate?

Mertes: Não. Você não tem que morar em Berlim para ter influência. E estou ansioso para ir para St. Blasien.

Der Spiegel: Senhor Mertes, obrigado pela entrevista.

Fonte: Der Spiegel
católica

"Mantivemos o abuso sexual em segredo por tempo demais", diz padre alemão

SMK  |  at  18:10


Em entrevista ao “Spiegel”, o padre jesuíta Klaus Mertes fala sobre a resposta da igreja ao escândalo sexual e sua revolta com o Vaticano.

O padre jesuíta Klaus Mertes, diretor do Colégio Canisius de Berlim, gerou ondas de choque pela Igreja Católica Alemã em janeiro de 2010 quando expôs o abuso sexual sistemático na escola de elite.

Confira entrevista abaixo:

Pergunta: Padre Mertes, um ano e meio após o senhor revelar o abuso sexual de alunos da escola em Berlim, os bispos católicos iniciaram um diálogo com os frequentadores da igreja na cidade de Mannheim, no Leste da Alemanha. Essa iniciativa não está muito atrasada?

Mertes: O copo sempre está meio cheio ou meio vazio. Acho bom que o diálogo tenha começado.

Pergunta: Qual é o sentido de tais conversas quando pessoas como o arcebispo de Colônia, Joachim Meisner, figura conservadora importante na Igreja Alemã, nem aparecem?

Mertes: Essa pergunta parece derrotista para mim. Seria maravilhoso se o papa dissesse algumas palavras de encorajamento sobre o processo de diálogo em um futuro próximo.

Pergunta: A Igreja católica aprendeu alguma coisa com todo o escândalo de abuso?

Mertes: Só o que eu posso dizer é o que eu aprendi. Eu reagiria muito mais rapidamente e ofensivamente aos rumores de abuso no futuro.

Pergunta: O senhor teve as primeiras pistas anos atrás, mas não as revelou ao público na época. Por que o senhor demorou tanto a reagir?

Mertes: Eram rumores. Quando eu perguntava aos ex-alunos ou professores a respeito, me deparava com silêncio ou agressão. Eu tive que lidar com os rumores sobre um padre na minha ordem em 1996. Depois daquilo, outro padre, que hoje está morto, gritou comigo de uma forma que nunca ninguém havia gritado. “Sei exatamente o que você quer”, disse ele. “Você só quer atormentar seus irmãos”.

Pergunta: Ficou mais fácil para os membros da Igreja conversarem sobre o abuso?

Mertes: Ficou mais fácil para alguns, mas infelizmente não para muitos. Nós fizemos pouco da violência sexual e a mantivemos em silêncio por tempo demais. Foi pelas vítimas que descobri, no início de 2010, que os perpetradores planejavam seus crimes sistematicamente. O silêncio dentro do grupo e na escola funciona como uma espiral: há silêncio sobre o abuso e silêncio sobre o silêncio. Isso leva a uma estrutura de seita no relacionamento entre perpetradores e vítimas, cujos sintomas são desconsiderados ou minimizados no ambiente social.

Pergunta: Por quê?

Mertes: Os jovens mantêm silêncio por medo, e porque não querem perder seu relacionamento próximo com os perpetradores e a sensação de pertencer ao grupo. Há uma espécie de ambivalência insana nos casos de abuso. Há um desejo enorme de não ser rejeitado e também há uma sensação de ser especial como resultado de fazer parte do grupo –apesar das incríveis violações.

Pergunta: O senhor explica em termos tão casuais.

Mertes: Em 2006, quando recebi o primeiro documento que descrevia o abuso cometido por outro padre, fiquei chocado. Passei noites sem dormir e era constantemente perseguido por imagens que invadiam os meus sonhos: imagens de adolescentes forçados a ficarem nus, que apanhavam por duas horas com vassouras, cintos e chicotes.

Pergunta: Por que, então, levou anos para tomar uma atitude?

Mertes: Houve consequências neste caso em particular. Informamos imediatamente o perpetrador à polícia. Mas não publiquei o caso porque me pediram que fosse discreto. Eu me acalmei dizendo que era apenas um caso isolado. Mas hoje sei que não.

Pergunta: Nesses anos, a Igreja Católica não deu a impressão de que desejava resolver os casos de abuso.

Mertes: Não. E eu sempre tive o cuidado em dizer que poderia resolver (esses casos), porque passei pela luta interna necessária para se romper o silêncio. Alcancei este ponto em janeiro de 2010, após ter conversas com três vítimas. Um dos momentos mais emocionantes aconteceu poucos meses mais tarde, em uma reunião com os ex-alunos. Havia cerca de 40 homens adultos, alguns deles com suas mulheres ou parceiros, sentados na minha frente me contando o que acontecera a eles. Foi incrivelmente doloroso de ouvir. Fiquei com um bolo na garganta e os olhos cheios de lágrimas. Em um caso, o perpetrador tinha hipocritamente associado seu abuso a uma bênção, dizendo à vítima: “Você é o filho amado de Deus”. Isso me abalou até a alma.

Pergunta: Em abril de 2010, o cardeal italiano Angelo Sodano referiu-se aos eventos na Alemanha como a “fofoca do momento”.

Mertes: Isso é inacreditável. Fiquei chocado que alguém pudesse dizer isso, e tenho vergonha dessas palavras até hoje.

Pergunta: O senhor reclamou?

Mertes: Não. Tampouco tinha força para lidar com a questão. Fui confortado pelo fato de o cardeal de Viena, Christoph Schönborn, tê-lo contradito publicamente. Eu fiquei extremamente agradecido por isso.

Pergunta: Tanto os jesuítas quanto a conferência de bispos ofereceram às vítimas de abuso até 5.000 euros (em torno de R$ 12.000) de compensação. Não é uma oferta miserável, dada a natureza traumática de algumas das experiências das vítimas?

Mertes: A ideia é transmitir a mensagem que não estamos apenas emitindo um pedido de desculpas. Os jesuítas deliberadamente optaram por um pagamento único porque, como representantes dos perpetradores, não podemos fazer o papel de juízes e começar a medir o sofrimento. Muitas vítimas acham a quantia inapropriada. Eu tenho que lidar com isso.

Pergunta: Por que o senhor não ofereceu mais?

Mertes: Usamos como base a soma básica estabelecida pela Conferência de Bispos da Áustria. Em alguns casos, estamos pagando somas adicionais para apoio ou custos de terapia.

Pergunta: Quantos ex-alunos aceitaram a oferta?

Mertes: De cerca de 200 vítimas, 54 se inscreveram até hoje e 30 já receberam os pagamentos. O processo ainda está em curso.

Pergunta: Os perpetradores foram punidos ou estão mortos, e as vítimas estão sendo compensadas. Isso coloca um fim ao escândalo?

Mertes: Demos alguns passos, mas ainda há um longo caminho. Um bispo auxiliar recentemente deu um sermão em uma instalação de uma igreja no qual, referindo-se à imprensa alemã, ele lamentou: “Fizemos tudo, até demos compensação, e ainda assim estão insatisfeitos”. Esse tipo de reclamação está aumentando e prejudica os ouvintes. É inadequada e perigosa. Afinal, ainda não respondemos à questão de como temos que mudar para podermos ouvir melhor quando as vítimas de abuso quiserem falar. Será que temos a capacidade de ouvir um jovem que sofreu abuso?

Pergunta: Talvez essa mudez por parte das vítimas também tenha a ver com o tratamento que a Igreja dá ao assunto da sexualidade.

Mertes: Há discordância sobre a questão se de fato há mudez no assunto da sexualidade. Acredito que este silêncio pode ser superado se concordarmos que há uma mudez. Essa postura de não querer falar sobre isso tem que mudar.

Pergunta: Por que é tão difícil para a Igreja?

Mertes: Quando alguém quer falar sobre sexualidade, os líderes começam a temer perder o controle do debate. No final, é medo de perder o poder. Fazemos perguntas. A resposta é um silêncio enorme.

Pergunta: Quais são as perguntas?

Mertes: O que, por exemplo, digo a uma criança que é seduzida ou forçada à masturbação e agora acha que é uma pecadora mortal? Tais problemas acontecem na prática, e deveria ser possível falar sobre eles.

“Estou revoltado porque vejo como as pessoas do alto olham em silêncio”

Pergunta: Com tais demandas, o senhor é considerado um tipo de traidor.

Mertes: Não sou traidor. Chamo atenção para algo que aprendi como resultado dos casos de abuso. Temos que olhar para nós mesmos de forma diferente como igreja. Temos que descobrir o que leva ao silêncio. Essa é a questão central das vítimas.

Pergunta: O senhor é repreendido por parte de outros católicos?

Mertes: Sim, com mensagens de ódio na forma de e-mails e cartas. Todos se resumem à acusação de deslealdade e de dividir a Igreja.

Pergunta: Mesmo entre os membros da igreja, o senhor é visto como aquele que levou a Igreja a esta confusão.

Mertes: Não todos. Georg Sterzinsky, cardeal de Berlim que morreu recentemente, me apoiou desde o início. Mas houve outras reações. Durante a viagem ao Vaticano no ano passado, um dos meus professores disse ao cardeal que vinha do Colégio Canisius em Berlim. O cardeal ficou muito irritado e disse que este Mertes deveria ser expulso da Igreja. Mas eu posso viver com isso. O que me preocupa mais é que partes da hierarquia se curvam a esses falastrões, porque têm medo de também serem repreendidos. Há oportunismo na hierarquia em relação a uma minoria que se acha dona da verdade.

Pergunta: O senhor acha difícil permanecer leal à Igreja?

Mertes: Sou agradecido à Igreja por minha fé, pelas preces, pela liturgia e pelo Evangelho. Os padrões pelos quais tento viver vêm do Evangelho. Não me permito ser privado disso por uma facção de pessoas que fala mal de mim e alega estar fazendo um favor à Igreja. A Igreja Católica é muito maior que um grupo de católicos provocadores.

Pergunta: O que o senhor chama de católicos provocadores?

Mertes: Eles veem toda crítica como deslealdade e denunciam as pessoas que têm questões expressando suspeitas sombrias. Eles pensam em termos de lados. Minha preocupação é que eles encontrem um ouvido na hierarquia. É especialmente duro que Roma esteja acatando as denúncias. Aqueles que submetem tais denúncias recebem a proteção do anonimato. Eles podem agir no escuro. Recebem importância do alto.

Pergunta: O papa é tolerante demais com esse movimento?

Mertes: Estamos falando da hierarquia em Roma. Não quero julgar o papel que o papa tem nisso tudo.

Pergunta: Há aparentemente um documento que veio do Vaticano no qual políticos católicos proeminentes, como o ex-ministro da saúde Heiner Geissler e a atual ministra da educação, Annette Schavan, são fortemente criticados e pondera-se uma possível divisão, porque há um movimento tão forte pela reforma na Alemanha.

Mertes: Os que atacam Schavan e outros católicos importantes têm um problema espiritual e intelectual.

Pergunta: Esse tipo de documento só pode rodar no Vaticano com o consentimento do papa.

Mertes: Alguns no Vaticano já falaram contra e se distanciaram disso.

Pergunta: O que o senhor espera da visita do papa a Berlim em setembro?

Mertes: Não muito. Gostaria de ver um gesto ecumênico. Gostaria de ver o papa se estender para a Igreja Católica na Alemanha.

Pergunta: O senhor não acha que isso vai acontecer, realmente?

Mertes: Fico revoltado porque vejo como os que estão no alto olham em silêncio e como algumas pessoas na Igreja estão atacando os outros cada vez mais agressivamente acusando-os de dividir a Igreja, especialmente quando estão envolvidos em associações, conselhos ou até no Comitê Central de Católicos Alemães. Isso poderia ter sido resolvido com um decreto e colocando um fim ao silêncio.

Pergunta: O que mais o papa poderia fazer para ajudar os católicos alemães?

Mertes: Oferecer respostas pastorais muito específicas. Vejo grande aflição entre muitos que se divorciam e voltam a se casar, ou entre casais de diferentes religiões, que não têm permissão de aceitar o Corpo de Cristo (a comunhão) juntos em nossa Igreja. Mudar isso seria um primeiro passo muito grande e teria muitas consequências. Também vejo grande aflição entre muitos homossexuais na Igreja católica, apesar de haver uma proibição clara de discriminação de homossexuais expressa na doutrina católica.

Pergunta: Cerca de 2,6 milhões de católicos deixaram a Igreja desde 1990, 180.000 só no ano passado. Os líderes da Igreja não veem mais isso?

Mertes: Veem. Mas há grupos que até celebram essa debandada, acham que é bom, porque faz encolher a Igreja de forma saudável, de forma que apenas verdadeiros católicos ficam. Perder o contato com a realidade também se relaciona com redefinir a realidade. Observei uma grande exaustão e um senso profundo de resignação em muitos católicos, porque quando eles tentam falar, se confrontam com um muro de silêncio em torno de um mundo paralelo. E então, é claro, também há um exercício brutal de poder.

Pergunta: Por exemplo?

Mertes: Um padre falou sobre estupro em um sermão recente para uma congregação em uma diocese alemã. Ele alegou que as mulheres também seduzem os homens. Quando algumas pessoas saíram em protesto, o pastor disse: “Podem ir. O Diabo está esperando por vocês aí fora!” Ele teve que se desculpar mais tarde, mas esse tipo de coisa afasta as pessoas.

Pergunta: No próximo ano escolar, o senhor estará se mudando do Colégio Canisius em Berlim para a escola jesuíta de St. Blasien na Floresta Negra no Sul da Alemanha. O senhor está se retirando do debate?

Mertes: Não. Você não tem que morar em Berlim para ter influência. E estou ansioso para ir para St. Blasien.

Der Spiegel: Senhor Mertes, obrigado pela entrevista.

Fonte: Der Spiegel

sábado, 9 de abril de 2011


"Oferecemos humildemente nosso pedido de perdão", é o que diz um comunicado da igreja chilena.

Os bispos da Igreja Católica chilena admitiram erros e pediram perdão por casos de abusos sexuais do passado e anunciaram a adoção de procedimentos para evitar casos de pedofilia, segundo um comunicado oficial da Conferência Episcopal Chilena publicado nesta sexta-feira.

O documento, cujo título é "Transparência, verdade e justiça", reconhece que os bispos "nem sempre reagiram com prontidão e eficácia diante das denúncias".

O texto também demonstra "solidariedade com as vítimas destes abusos e com suas famílias".

"Oferecemos humildemente nosso pedido de perdão, que é o apoio que podemos lhes dar, além de nossa oração", afirma o comunicado.

Citando o papa João Paulo 2º, a nota enfatiza que "quem abusa de crianças e jovens não tem lugar no sacerdócio" e chama os "sacerdotes que falharam com seu compromisso e causaram dano aos outros a fazer um exame de consciência pessoal e a responder sobre seus atos diante de Deus, da sociedade e de seus suspeitos".

Os bispos ainda declararam que se comprometem "a aperfeiçoar a seleção e formação dos candidatos ao sacerdócio".

Além disso, será criado um "um organismo da Conferência Episcopal que oriente e dirija nossas políticas de prevenção de abusos sexuais e ajude às vítimas".

PESQUISA

Uma pesquisa divulgada no início da semana apontou que 88% dos chilenos acreditam que a Igreja Católica ocultou informações sobre supostos abusos cometidos por padres.

O levantamento, realizado pelo jornal "La Tercera", também indica que 74% das pessoas consideram que o Vaticano não deu uma resposta adequada às denúncias.

O bispo auxiliar de Santiago, Cristián Contreras, admitiu que a credibilidade da Igreja está em baixa e que reconhecer estes fatos "é um primeiro elemento para sair [da crise]".

Fonte: Folha Online
chile

Igreja Católica chilena pede perdão por casos de abusos sexuais

SMK  |  at  06:59


"Oferecemos humildemente nosso pedido de perdão", é o que diz um comunicado da igreja chilena.

Os bispos da Igreja Católica chilena admitiram erros e pediram perdão por casos de abusos sexuais do passado e anunciaram a adoção de procedimentos para evitar casos de pedofilia, segundo um comunicado oficial da Conferência Episcopal Chilena publicado nesta sexta-feira.

O documento, cujo título é "Transparência, verdade e justiça", reconhece que os bispos "nem sempre reagiram com prontidão e eficácia diante das denúncias".

O texto também demonstra "solidariedade com as vítimas destes abusos e com suas famílias".

"Oferecemos humildemente nosso pedido de perdão, que é o apoio que podemos lhes dar, além de nossa oração", afirma o comunicado.

Citando o papa João Paulo 2º, a nota enfatiza que "quem abusa de crianças e jovens não tem lugar no sacerdócio" e chama os "sacerdotes que falharam com seu compromisso e causaram dano aos outros a fazer um exame de consciência pessoal e a responder sobre seus atos diante de Deus, da sociedade e de seus suspeitos".

Os bispos ainda declararam que se comprometem "a aperfeiçoar a seleção e formação dos candidatos ao sacerdócio".

Além disso, será criado um "um organismo da Conferência Episcopal que oriente e dirija nossas políticas de prevenção de abusos sexuais e ajude às vítimas".

PESQUISA

Uma pesquisa divulgada no início da semana apontou que 88% dos chilenos acreditam que a Igreja Católica ocultou informações sobre supostos abusos cometidos por padres.

O levantamento, realizado pelo jornal "La Tercera", também indica que 74% das pessoas consideram que o Vaticano não deu uma resposta adequada às denúncias.

O bispo auxiliar de Santiago, Cristián Contreras, admitiu que a credibilidade da Igreja está em baixa e que reconhecer estes fatos "é um primeiro elemento para sair [da crise]".

Fonte: Folha Online

sexta-feira, 17 de setembro de 2010


A Grã-Bretanha é um país oficialmente cristão, com 6 milhões de católicos - menos de 10% da população, dos quais só um quinto vão à missa.

Sexo, dinheiro e dogma constituem um coquetel muito perigoso para qualquer figura pública, seja um político, um jogador de futebol ou um eclesiástico. Mas são a combinação que Bento 16 enfrenta na primeira viagem de um papa à Inglaterra e Escócia desde João Paulo 2º em 1982: o escândalo dos abusos a menores, o custo da visita e a intolerância ao aborto, à camisinha e à mulher sacerdote.

A Grã-Bretanha que recebe amanhã o papa é um país oficialmente cristão, com 6 milhões de católicos - menos de 10% da população, dos quais só um quinto vão à missa e a maioria é muito mais liberal que a doutrina da Igreja. Um país onde duas em cada três pessoas se definem como "não religiosas", em um exemplo do que Bento 16 e seus cardeais qualificam de "relativismo moral" e consideram uma das grandes pragas das sociedades ocidentais contemporâneas.

Mas, assim como o papa polonês pisou nestas terras há quase 30 anos e seduziu com sua presença carismática de estrela de cinema, oratória churchilliana e a autoridade moral de ter sofrido o nazismo e lutado contra o comunismo, seu sucessor tem uma tarefa infinitamente mais difícil. Em parte por sua personalidade, em parte pela redução do fervor religioso e a vitória da razão sobre a fé, em parte pelos preconceitos que continuam existindo no Reino Unido em relação aos alemães, em parte pelo fundamentalismo doutrinário, mas sobretudo pelo impacto devastador dos escândalos de abusos sexuais contra menores na Irlanda, Inglaterra, Bélgica, EUA...

E por cima disso o custo da visita, 25 milhões de euros, sem contar a segurança, dos quais o Tesouro britânico se encarregou de pouco mais da metade em plenos cortes orçamentários e quando a palavra "austeridade" está na ordem do dia. Segundo uma pesquisa, 77% dos britânicos consideram que o Estado não deveria pôr um centavo.

Um leque de organizações - de direitos gays, lésbicas, humanitárias, defensoras dos direitos civis, vítimas dos abusos - vindas inclusive da Austrália, e o reverendo Ian Paisley, líder da Igreja Presbiteriana e ex-primeiro-ministro do Ulster (Irlanda do Norte), se reuniram para protestar e expressar seu desagrado pela visita papal ao longo de seu percurso por Edimburgo, Glasgow, Londres e Birmingham. Dificilmente poderão se aproximar de Bento 16, mas a contrapartida é que as medidas de segurança tornam complicadíssimo o acesso dos fiéis aos atos.

No Bellahouston Park em Glasgow espera-se a presença de apenas cerca de 80 mil pessoas na missa matinal, um quarto das quais assistiram no mesmo lugar há 28 anos. A polícia só autorizou o transporte público, os participantes terão de estar no local pelo menos cinco horas antes, e as entradas (que custam o equivalente a 30 euros, ou uma partida de futebol na Escócia) somente podem ser obtidas através das paróquias e registrando-se com nome e sobrenome. Em Londres as crianças dos colégios católicos foram mobilizadas para encher o Hyde Park.

Em 1982 João Paulo 2º encontrou uma Igreja Católica britânica com o moral muito alto, graças a uma mobilidade social que havia permitido a ascensão de membros dessa religião (antes circunscrita às classes trabalhadoras e imigrantes irlandeses) a cargos públicos de poder e influência.

Hoje, depois de um "annus horribilis", é exatamente o contrário: há 20% de sacerdotes a menos, os escândalos sexuais provocaram uma crise de credibilidade moral e somente a chegada de trabalhadores da Polônia e outros países da Europa do Leste impede que as igrejas estejam ainda mais vazias.

"Para muitos católicos é impossível comungar com a doutrina do Vaticano", diz Jane, uma mulher de meia idade que sai da missa na igreja de São Tomás Morus no bairro londrino de Hampstead. "A intransigência em relação à investigação com células-tronco, os preservativos e o aborto é impossível de defender e causa a morte de milhões de pessoas."

Uma pesquisa publicada às vésperas da visita do papa indica que uma grande maioria dos britânicos considera Bento 16 "intransigente demais".

Fonte: La vanguardia / F. Gospel
Pedofilia no Mundo

Abusos a menores mergulharam a Igreja Católica britânica em uma crise de autoridade moral

SMK  |  at  05:47


A Grã-Bretanha é um país oficialmente cristão, com 6 milhões de católicos - menos de 10% da população, dos quais só um quinto vão à missa.

Sexo, dinheiro e dogma constituem um coquetel muito perigoso para qualquer figura pública, seja um político, um jogador de futebol ou um eclesiástico. Mas são a combinação que Bento 16 enfrenta na primeira viagem de um papa à Inglaterra e Escócia desde João Paulo 2º em 1982: o escândalo dos abusos a menores, o custo da visita e a intolerância ao aborto, à camisinha e à mulher sacerdote.

A Grã-Bretanha que recebe amanhã o papa é um país oficialmente cristão, com 6 milhões de católicos - menos de 10% da população, dos quais só um quinto vão à missa e a maioria é muito mais liberal que a doutrina da Igreja. Um país onde duas em cada três pessoas se definem como "não religiosas", em um exemplo do que Bento 16 e seus cardeais qualificam de "relativismo moral" e consideram uma das grandes pragas das sociedades ocidentais contemporâneas.

Mas, assim como o papa polonês pisou nestas terras há quase 30 anos e seduziu com sua presença carismática de estrela de cinema, oratória churchilliana e a autoridade moral de ter sofrido o nazismo e lutado contra o comunismo, seu sucessor tem uma tarefa infinitamente mais difícil. Em parte por sua personalidade, em parte pela redução do fervor religioso e a vitória da razão sobre a fé, em parte pelos preconceitos que continuam existindo no Reino Unido em relação aos alemães, em parte pelo fundamentalismo doutrinário, mas sobretudo pelo impacto devastador dos escândalos de abusos sexuais contra menores na Irlanda, Inglaterra, Bélgica, EUA...

E por cima disso o custo da visita, 25 milhões de euros, sem contar a segurança, dos quais o Tesouro britânico se encarregou de pouco mais da metade em plenos cortes orçamentários e quando a palavra "austeridade" está na ordem do dia. Segundo uma pesquisa, 77% dos britânicos consideram que o Estado não deveria pôr um centavo.

Um leque de organizações - de direitos gays, lésbicas, humanitárias, defensoras dos direitos civis, vítimas dos abusos - vindas inclusive da Austrália, e o reverendo Ian Paisley, líder da Igreja Presbiteriana e ex-primeiro-ministro do Ulster (Irlanda do Norte), se reuniram para protestar e expressar seu desagrado pela visita papal ao longo de seu percurso por Edimburgo, Glasgow, Londres e Birmingham. Dificilmente poderão se aproximar de Bento 16, mas a contrapartida é que as medidas de segurança tornam complicadíssimo o acesso dos fiéis aos atos.

No Bellahouston Park em Glasgow espera-se a presença de apenas cerca de 80 mil pessoas na missa matinal, um quarto das quais assistiram no mesmo lugar há 28 anos. A polícia só autorizou o transporte público, os participantes terão de estar no local pelo menos cinco horas antes, e as entradas (que custam o equivalente a 30 euros, ou uma partida de futebol na Escócia) somente podem ser obtidas através das paróquias e registrando-se com nome e sobrenome. Em Londres as crianças dos colégios católicos foram mobilizadas para encher o Hyde Park.

Em 1982 João Paulo 2º encontrou uma Igreja Católica britânica com o moral muito alto, graças a uma mobilidade social que havia permitido a ascensão de membros dessa religião (antes circunscrita às classes trabalhadoras e imigrantes irlandeses) a cargos públicos de poder e influência.

Hoje, depois de um "annus horribilis", é exatamente o contrário: há 20% de sacerdotes a menos, os escândalos sexuais provocaram uma crise de credibilidade moral e somente a chegada de trabalhadores da Polônia e outros países da Europa do Leste impede que as igrejas estejam ainda mais vazias.

"Para muitos católicos é impossível comungar com a doutrina do Vaticano", diz Jane, uma mulher de meia idade que sai da missa na igreja de São Tomás Morus no bairro londrino de Hampstead. "A intransigência em relação à investigação com células-tronco, os preservativos e o aborto é impossível de defender e causa a morte de milhões de pessoas."

Uma pesquisa publicada às vésperas da visita do papa indica que uma grande maioria dos britânicos considera Bento 16 "intransigente demais".

Fonte: La vanguardia / F. Gospel

quinta-feira, 19 de agosto de 2010


Novas ações judiciais foram apresentadas contra autoridades da Igreja Católica na Califórnia nesta quarta-feira, por encobrir atos de pedofilia de um padre, informou um comunicado emitido pelos advogados das vítimas.

As ações, apresentadas em um tribunal de Oakland, ao sul de São Francisco, envolvem seis mulheres e um homem, que afirmam ser vítimas de abusos sexuais do sacerdote Stephen Kiesle, entre 1972 e 2001.

A maioria dos demandantes teria sofrido agressões do padre Kiesle durante sua infância e adolescência.

"Os bispos católicos americanos e o Vaticano facilitaram por longo tempo os abusos sexuais contra crianças, protegendo sacerdotes pedófilos", afirma a ação judicial, da qual a AFP obteve uma cópia.

"Os bispos e a hierarquia católica atuaram assim para evitar que os padres fossem processados e evitar escândalos" públicos, completa o texto.

Deixaram "famílias católicas e crianças nas mãos de reconhecidos pedófilos e se apoiaram na devoção de seus fiéis para manter em segredo todos os novos abusos" que iam cometendo, completa o texto.

Em abril do ano passado, o advogado das vítimas, Jeff Anderson, entregou documentos públicos demonstrando que nos anos 1980 o hoje Papa Bento XVI, então chefe da Congregação para a Doutrina da Fé, adiou por longo tempo a expulsão do padre Kiesle, mesmo ciente de vários casos de agressão sexual.

O pedido para que Kiesle deixasse o sacerdócio, apresentado em 1981, foi aceito apenas em 1987, mas um ano depois ele ainda trabalhou por oito meses como coordenador de atividades para jovens em uma paróquia da Califórnia.

Em 2004, foi condenado e preso por abusar de um menino nesse mesmo ano. Foi libertado em fevereiro de 2009 e continua vivendo na Califórnia.

A Igreja Católica foi afetada nos últimos anos por escândalos relacionados com casos de pedofilia, especialmente em Áustria, Bélgica, Irlanda, Alemanha e Estados Unidos.
Pedofilia no Mundo

Igreja da Califórnia é acusada de encobertar pedofilia

SMK  |  at  14:41


Novas ações judiciais foram apresentadas contra autoridades da Igreja Católica na Califórnia nesta quarta-feira, por encobrir atos de pedofilia de um padre, informou um comunicado emitido pelos advogados das vítimas.

As ações, apresentadas em um tribunal de Oakland, ao sul de São Francisco, envolvem seis mulheres e um homem, que afirmam ser vítimas de abusos sexuais do sacerdote Stephen Kiesle, entre 1972 e 2001.

A maioria dos demandantes teria sofrido agressões do padre Kiesle durante sua infância e adolescência.

"Os bispos católicos americanos e o Vaticano facilitaram por longo tempo os abusos sexuais contra crianças, protegendo sacerdotes pedófilos", afirma a ação judicial, da qual a AFP obteve uma cópia.

"Os bispos e a hierarquia católica atuaram assim para evitar que os padres fossem processados e evitar escândalos" públicos, completa o texto.

Deixaram "famílias católicas e crianças nas mãos de reconhecidos pedófilos e se apoiaram na devoção de seus fiéis para manter em segredo todos os novos abusos" que iam cometendo, completa o texto.

Em abril do ano passado, o advogado das vítimas, Jeff Anderson, entregou documentos públicos demonstrando que nos anos 1980 o hoje Papa Bento XVI, então chefe da Congregação para a Doutrina da Fé, adiou por longo tempo a expulsão do padre Kiesle, mesmo ciente de vários casos de agressão sexual.

O pedido para que Kiesle deixasse o sacerdócio, apresentado em 1981, foi aceito apenas em 1987, mas um ano depois ele ainda trabalhou por oito meses como coordenador de atividades para jovens em uma paróquia da Califórnia.

Em 2004, foi condenado e preso por abusar de um menino nesse mesmo ano. Foi libertado em fevereiro de 2009 e continua vivendo na Califórnia.

A Igreja Católica foi afetada nos últimos anos por escândalos relacionados com casos de pedofilia, especialmente em Áustria, Bélgica, Irlanda, Alemanha e Estados Unidos.

segunda-feira, 14 de junho de 2010


Os bispos europeus assinalaram nesta segunda-feira "a necessidade de reconhecer a dramaticidade" do problema dos abusos sexuais cometidos por religiosos contra menores e afirmaram "a importância de confrontá-lo com seriedade".

"É óbvio o desejo das conferências episcopais de seguir o modo com o qual o papa está enfrentando a questão", explicaram eles, em uma nota conclusiva do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE), ocorrido nos últimos dias em Roma.

"Impressionam as medidas colocadas em campo por algumas conferências episcopais para fazer frente ao problema, prevenir posteriores casos de abuso e apoiar e acompanhar as vítimas e suas famílias de similares dramas, aos quais a condenação foi unânime", informou o comunicado.

Durante o encontro que reuniu os secretários-gerais das entidades de cada país, foram recordados os procedimentos que devem ser seguidos a cada vez que um bispo for informado de "possíveis casos de abusos".

Também foi citada uma "troca entre as conferências episcopais para melhorar a intervenção da Igreja neste setor".

Nos últimos meses, a instituição católica se viu envolvida em denúncias de pedofilia contra membros do clero em diversos países, entre eles Alemanha, Irlanda, Estados Unidos, Itália, França, Áustria, Espanha, México e Brasil.

No CCEE, os prelados falaram ainda sobre o relacionamento entre a Igreja e os meios de comunicação. O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, recordou aos bispos manter em vista a globalização da informação, cada vez mais "veloz e sensacionalista", que faz com que qualquer declaração a nível local adquira subitamente um eco a nível internacional.

Fonte: Folha Online
Pedofilia no Mundo

Bispos europeus dizem que é preciso confrontar pedofilia "com seriedade"

SMK  |  at  16:22


Os bispos europeus assinalaram nesta segunda-feira "a necessidade de reconhecer a dramaticidade" do problema dos abusos sexuais cometidos por religiosos contra menores e afirmaram "a importância de confrontá-lo com seriedade".

"É óbvio o desejo das conferências episcopais de seguir o modo com o qual o papa está enfrentando a questão", explicaram eles, em uma nota conclusiva do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE), ocorrido nos últimos dias em Roma.

"Impressionam as medidas colocadas em campo por algumas conferências episcopais para fazer frente ao problema, prevenir posteriores casos de abuso e apoiar e acompanhar as vítimas e suas famílias de similares dramas, aos quais a condenação foi unânime", informou o comunicado.

Durante o encontro que reuniu os secretários-gerais das entidades de cada país, foram recordados os procedimentos que devem ser seguidos a cada vez que um bispo for informado de "possíveis casos de abusos".

Também foi citada uma "troca entre as conferências episcopais para melhorar a intervenção da Igreja neste setor".

Nos últimos meses, a instituição católica se viu envolvida em denúncias de pedofilia contra membros do clero em diversos países, entre eles Alemanha, Irlanda, Estados Unidos, Itália, França, Áustria, Espanha, México e Brasil.

No CCEE, os prelados falaram ainda sobre o relacionamento entre a Igreja e os meios de comunicação. O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, recordou aos bispos manter em vista a globalização da informação, cada vez mais "veloz e sensacionalista", que faz com que qualquer declaração a nível local adquira subitamente um eco a nível internacional.

Fonte: Folha Online

segunda-feira, 19 de abril de 2010

O padre Edílson Duarte admitiu neste sábado (13) em depoimento à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Pedofilia, em Arapiraca (AL), que abusou sexualmente de ex-coroinhas.

Acareado com três adolescentes, ele reconheceu que praticou sexo com dois deles --ainda menores de idade-- e pagou algumas vezes os jovens com dinheiro da oferta dada pelos fiéis à Igreja.

Depois de várias negativas de ser homossexual e de abusos sexuais, ele acabou reconhecendo quando os ex-coroinhas Cícero Flávio Vieira Barbosa, Fabiano Silva Ferreira e Anderson Farias Silva foram chamados ao plenário para acareação. “Sim, tive relações sexuais com dois deles. Menos com o Anderson”, disse, para espanto dos presentes ao Fórum da cidade.

O ex-coroinha Fabiano afirmou que teve a primeira relação com o padre aos 16 anos, na catedral da cidade. “Ele perguntou minha idade e mesmo assim praticou o ato”, disse, o que foi confirmado pelo padre.

“Às vezes eles nos dava cinco, 10 reais. Era um cala boca para que a gente não contasse, como se fossemos garoto de programa”, afirmou Cícero Flávio.

O senador Magno Malta perguntou se o dinheiro que ele deu aos jovens se tratava de dízimo e contribuição de fiéis nas missas. “Olha para eles [fiéis presentes ao Fórum]. O senhor pagou o dinheiro do dízimo deles para pegar no pênis deles?”, perguntou o senador. “Sim”, respondeu o padre, baixando a cabeça em seguida.

Diante da manifestação do público, o senador Magno Malta (PR-ES), presidente da CPI, pediu calma às cerca de 200 pessoas que acompanhavam o depoimento. “Peço que as pessoas não se manifestem, que isso é uma coisa séria. Ele é humano, erra e é digno da misericórdia. Ele não tem como mentir e está em total desvantagem”, afirmou.

O padre ainda respondeu que “pode ser” que tenha abusado de outros adolescentes. “Crianças, não. Mas adolescentes, podem aparecer”, confirmou.

Constrangido com a situação, ele chegou a rogar pelo perdão de Nossa Senhora. “Se Nossa Senhora entrasse ali agora, diria: ‘perdoa os seus filhos que têm pecados’. A Igreja nunca erra, só as pessoas”, disse.

Após as declarações, o senador e integrantes do Ministério Público Estadual (MPE) ofereceram ao padre o benefício da delação premiada para que ele conte o que sabe sobre o abuso a crianças e adolescentes de outros padres.

A sessão foi suspensa para que Edílson relatasse, em particular, detalhes sobre o suposto esquema de pedofilia na cidade
PADRES

Em depoimento à CPI, padre admite abuso sexual a ex-coroinhas e pagamento de sexo com dízimo

SMK  |  at  13:55

O padre Edílson Duarte admitiu neste sábado (13) em depoimento à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Pedofilia, em Arapiraca (AL), que abusou sexualmente de ex-coroinhas.

Acareado com três adolescentes, ele reconheceu que praticou sexo com dois deles --ainda menores de idade-- e pagou algumas vezes os jovens com dinheiro da oferta dada pelos fiéis à Igreja.

Depois de várias negativas de ser homossexual e de abusos sexuais, ele acabou reconhecendo quando os ex-coroinhas Cícero Flávio Vieira Barbosa, Fabiano Silva Ferreira e Anderson Farias Silva foram chamados ao plenário para acareação. “Sim, tive relações sexuais com dois deles. Menos com o Anderson”, disse, para espanto dos presentes ao Fórum da cidade.

O ex-coroinha Fabiano afirmou que teve a primeira relação com o padre aos 16 anos, na catedral da cidade. “Ele perguntou minha idade e mesmo assim praticou o ato”, disse, o que foi confirmado pelo padre.

“Às vezes eles nos dava cinco, 10 reais. Era um cala boca para que a gente não contasse, como se fossemos garoto de programa”, afirmou Cícero Flávio.

O senador Magno Malta perguntou se o dinheiro que ele deu aos jovens se tratava de dízimo e contribuição de fiéis nas missas. “Olha para eles [fiéis presentes ao Fórum]. O senhor pagou o dinheiro do dízimo deles para pegar no pênis deles?”, perguntou o senador. “Sim”, respondeu o padre, baixando a cabeça em seguida.

Diante da manifestação do público, o senador Magno Malta (PR-ES), presidente da CPI, pediu calma às cerca de 200 pessoas que acompanhavam o depoimento. “Peço que as pessoas não se manifestem, que isso é uma coisa séria. Ele é humano, erra e é digno da misericórdia. Ele não tem como mentir e está em total desvantagem”, afirmou.

O padre ainda respondeu que “pode ser” que tenha abusado de outros adolescentes. “Crianças, não. Mas adolescentes, podem aparecer”, confirmou.

Constrangido com a situação, ele chegou a rogar pelo perdão de Nossa Senhora. “Se Nossa Senhora entrasse ali agora, diria: ‘perdoa os seus filhos que têm pecados’. A Igreja nunca erra, só as pessoas”, disse.

Após as declarações, o senador e integrantes do Ministério Público Estadual (MPE) ofereceram ao padre o benefício da delação premiada para que ele conte o que sabe sobre o abuso a crianças e adolescentes de outros padres.

A sessão foi suspensa para que Edílson relatasse, em particular, detalhes sobre o suposto esquema de pedofilia na cidade

sábado, 20 de março de 2010

‘Abertamente expresso a vergonha e o remorso que todos nós sentimos.’
Bento XVI ordenou ‘visita pastoral’ a dioceses e seminários na Irlanda.

Foto: Andreas Solaro / AFP 17-03-2010

Papa Bento XVI ouve seu secretário particular Georg Gaenswein durante a audiência semanal na Praça de São Pedro (Foto: Andreas Solaro / AFP 17-03-2010)

O papa Bento XVI afirma em carta pastoral enviada aos católicos da Irlanda que os bispos daquele país cometeram “graves erros de julgamento” no que diz respeito a casos de abuso sexual cometidos por religiosos e pediu ação decisiva, honestidade e transparência.

O pontífice pediu perdão às vítimas e anunciou uma investigação formal das dioceses e seminários envolvidos em escândalos sexuais. Nas últimas semanas, o Vaticano tem sido obrigado a lidar com uma série de acusações não só na Irlanda, mas também na Alemanha, Áustria e Holanda.

“Vocês sofreram gravemente e eu verdadeiramente sinto muito... Eu abertamente expresso a vergonha e o remorso que todos nós sentimos”, afirma o papa na carta pastoral. “Eu só posso compartilhar a consternação e o sentimento de traição que tantos entre vocês vivenciaram ao tomar conhecimento desses atos pecaminosos e criminosos e da forma como as autoridades eclesiásticas na Irlanda lidaram com eles”, declarou Bento XVI.

Ele anunciou uma “visita apostólica” de algumas dioceses, seminários e ordens religiosas no país, mas não respondeu à pressão para que os bispos envolvidos sejam afastados.

Visitas apostólicas são espécies de inquéritos em que inspetores encontram-se com bispos, diretores de seminários e conventos e responsáveis por paróquias para revisar a forma como certos assuntos foram conduzidos no passado. O resultado são sugestões de mudança de conduta ou até mesmo ações disciplinares.

Foto: Alessandro Bianchi / Reuters

Carta pastoral enviada aos católicos da Irlanda (Foto: Alessandro Bianchi / Reuters)

papa

Em carta a católicos irlandeses, papa pede perdão casos de pedofilia

SMK  |  at  11:37

‘Abertamente expresso a vergonha e o remorso que todos nós sentimos.’
Bento XVI ordenou ‘visita pastoral’ a dioceses e seminários na Irlanda.

Foto: Andreas Solaro / AFP 17-03-2010

Papa Bento XVI ouve seu secretário particular Georg Gaenswein durante a audiência semanal na Praça de São Pedro (Foto: Andreas Solaro / AFP 17-03-2010)

O papa Bento XVI afirma em carta pastoral enviada aos católicos da Irlanda que os bispos daquele país cometeram “graves erros de julgamento” no que diz respeito a casos de abuso sexual cometidos por religiosos e pediu ação decisiva, honestidade e transparência.

O pontífice pediu perdão às vítimas e anunciou uma investigação formal das dioceses e seminários envolvidos em escândalos sexuais. Nas últimas semanas, o Vaticano tem sido obrigado a lidar com uma série de acusações não só na Irlanda, mas também na Alemanha, Áustria e Holanda.

“Vocês sofreram gravemente e eu verdadeiramente sinto muito... Eu abertamente expresso a vergonha e o remorso que todos nós sentimos”, afirma o papa na carta pastoral. “Eu só posso compartilhar a consternação e o sentimento de traição que tantos entre vocês vivenciaram ao tomar conhecimento desses atos pecaminosos e criminosos e da forma como as autoridades eclesiásticas na Irlanda lidaram com eles”, declarou Bento XVI.

Ele anunciou uma “visita apostólica” de algumas dioceses, seminários e ordens religiosas no país, mas não respondeu à pressão para que os bispos envolvidos sejam afastados.

Visitas apostólicas são espécies de inquéritos em que inspetores encontram-se com bispos, diretores de seminários e conventos e responsáveis por paróquias para revisar a forma como certos assuntos foram conduzidos no passado. O resultado são sugestões de mudança de conduta ou até mesmo ações disciplinares.

Foto: Alessandro Bianchi / Reuters

Carta pastoral enviada aos católicos da Irlanda (Foto: Alessandro Bianchi / Reuters)

quarta-feira, 17 de março de 2010


Novos escândalos de pedofilia envolvendo a Igreja surgiram no Brasil, o maior país católico do mundo, onde o Vaticano reconheceu a existência de acusações de abusos sexuais feitas contra padres. A denúncia foi feita na última quinta-feira no programa Conexão Repórter, comandado pelo jornalista Roberto Cabrini, no SBT.

Os casos foram revelados na semana passada, através de imagens captadas por uma vítima de abuso sexual, que recorreu a uma câmara oculta para filmar o padre Luiz Marques Barbosa, de 82 anos, praticando sexo oral com um menino de coro diante de um altar estado de Alagoas.

A difusão deste vídeo, na semana passada, no programa “Conexão Repórter” do canal de televisão da cadeia SBT, provocou um escândalo no Brasil, país em que 74% dos mais de 190 milhões de habitantes são católicos.

Depois das imagens da relação sexual, o vídeo mostra um grande plano do rosto do padre que, ao aperceber-se de que está sendo observado, pergunta “quem está aí?”.

A reportagem contém igualmente declarações de três antigos rapazes de coro, que contam abusos que sofreram da parte de três padres – entre os quais o sacerdote que aparece no vídeo - da cidade de Arapiraca, a 120km de Maceió, capital de Alagoas.

Um dos jovens que fala na reportagem, agora com 20 anos, tinha 12 anos na altura dos abusos e sublinhou ter sido obrigado a ter relações sexuais com o padre Marques Barbosa “inúmeras vezes”.

O Vaticano reconheceu nesta terça-feira (16) a existência de casos de pedofilia cometidos por padres no Brasil. O porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi, desmentiu que os envolvidos sejam bispos.

"Eram padres", disse Lombardi, sobre os acusados de abusar coroinhas no município de Arapiraca, interior de Alagoas. O porta-voz também reconheceu que dois dos três religiosos envolvidos possuem título de monsenhor, embora sejam simples padres.

"Foi confirmado que nenhum dos três envolvidos era bispo. Um deles foi afastado da paróquia e será julgado pela justiça civil. Os outros dois foram suspensos de suas tarefas eclesiásticas e estão sendo submetidos a um processo canônico por suspeita de pedofilia, mas até agora negam tudo", disse o porta-voz do Vaticano.

O advogado do padre disse que as relações sexuais filmadas foram consentidas, e o mesmo rejeitou que o caso fosse tratado como pedofilia. Ele ainda acusou os jovens de tentarem extorquir o padre, tendo até assinado documento no qual se comprometiam a não divulgar o vídeo.

Os supostos crimes cometidos no Brasil se somam à série de denúncias contra católicos em diversas partes do mundo. O Vaticano tem acompanhado de perto tais casos e nos últimos meses se reuniu com as cúpulas eclesiásticas da Irlanda e da Alemanha, países em que estão concentradas partes das acusações.




Atrás da Sacristia, o segredo. Uma imagem perturbadora. Sexo, intrigas e poder na Igreja Católica. O altar e o crucifixo como testemunhas. Mentes traumatizadas. Lembranças que persistem. Pesadelos intermináveis. O ensino sagrado, evangelho e a formação do caráter de jovens. Pretexto para se aproximar de meninos que achavam que ser coroinha era o caminho mais curto até Deus? O verdadeiro caminho do calvário. A inocência negada. Proibida. Violentada.


Nossa investigação começa quando temos acesso a um vídeo, entregue por um morador de uma cidade de Alagoas. Cenas que revelam uma face obscura da fé. No fundo, o altar de uma casa construída com o dinheiro dos fiéis. Na cama, um padre. O sacerdote em ato sexual com um jovem. Ao final, o padre se assusta ao perceber que tudo estava sendo registrado.

Arapiraca, duzentos mil habitantes, a segunda maior cidade do estado de Alagoas. Como em tantos lugares do interior do país, a igreja exerce colossal influência na vida da comunidade. O padre trata-se de um dos religiosos mais conhecidos na região. De seus oitenta e dois anos, cinquenta e oito são de sacerdócio e vinte a frente da Paróquia de São José. Mesmo aposentado continua celebrando missas e casamentos pelo enorme prestígio. Camisetas foram vendidas para arrecadar dinheiro para a construção de uma casa para ele. Os fiéis de Arapiraca o enxergam como um verdadeiro santo.


A suposta vítima um ex-coroinha que aparece no vídeo mantendo relações sexuais com um Monsenhor de Arapiraca. Hoje ele diz que tem consciência do mal que o assombrou durante oito anos. Mas a fé, até então inabalável, foi sendo pouco a pouco substituída por outro sentimento. Revolta. Localizamos também quem filmou as imagens. Trata-se de outro ex-coroinha que também disse que foi vítima do padre, com doze anos. Hoje, com vinte e um anos, ele diz que resolveu dar um basta. O ex-coroinha aproveitou que o portão da casa estava entreaberto e com uma câmera na mão registrou a tarde de orgia e luxúria do padre. As imagens sugerem uma relação consentida, mas o ex-coroinha conta que os abusos começaram quando ele era apenas um menino.


O Monsenhor aceita conversar com Cabrini diante de nossa câmera. O crucifixo, no peito, é seu Senhor e Mestre. Ele nega o excesso de casos de pedofilia na cidade, que dizem. Afirma que o padre comete um pecado mortal, mas que pode se arrepender. Declara também não conhecer nenhuma caso de abuso de crianças ou coroinhas. No momento mais tenso da entrevista Cabrini pergunta se ele já abusou de algum coroinha. O padre não afirma e não nega. Apenas diz que o único que pode saber de seus pecados é seu confessor. Após ser questionado pede que Roberto Cabrini saia de sua casa.



Mais um sacerdote aparece no escândalo, citado pelo ex-coroinha. É uma padre responsável pela Igreja mais importante de Arapiraca. Vamos ao encontro dele em sua casa. Desconfiado, ele quer se certificar que a conversa não está sendo gravada, batendo no peito de nosso produtor à procura de microfones. Seu comportamento é estranho para uma pessoa supostamente inocente. Ele nega todas as acusações e ainda tenta passar a imagem de um padre dedicado.

Abusos ou relações homossexuais? Padres em pecado ou garotos atrás de dinheiro? Padres e coroinhas...um relacionamento atrás da sacristia.
PADRES

Vaticano confirma abuso sexual no Brasil após denúncia em programa do SBT

SMK  |  at  13:54


Novos escândalos de pedofilia envolvendo a Igreja surgiram no Brasil, o maior país católico do mundo, onde o Vaticano reconheceu a existência de acusações de abusos sexuais feitas contra padres. A denúncia foi feita na última quinta-feira no programa Conexão Repórter, comandado pelo jornalista Roberto Cabrini, no SBT.

Os casos foram revelados na semana passada, através de imagens captadas por uma vítima de abuso sexual, que recorreu a uma câmara oculta para filmar o padre Luiz Marques Barbosa, de 82 anos, praticando sexo oral com um menino de coro diante de um altar estado de Alagoas.

A difusão deste vídeo, na semana passada, no programa “Conexão Repórter” do canal de televisão da cadeia SBT, provocou um escândalo no Brasil, país em que 74% dos mais de 190 milhões de habitantes são católicos.

Depois das imagens da relação sexual, o vídeo mostra um grande plano do rosto do padre que, ao aperceber-se de que está sendo observado, pergunta “quem está aí?”.

A reportagem contém igualmente declarações de três antigos rapazes de coro, que contam abusos que sofreram da parte de três padres – entre os quais o sacerdote que aparece no vídeo - da cidade de Arapiraca, a 120km de Maceió, capital de Alagoas.

Um dos jovens que fala na reportagem, agora com 20 anos, tinha 12 anos na altura dos abusos e sublinhou ter sido obrigado a ter relações sexuais com o padre Marques Barbosa “inúmeras vezes”.

O Vaticano reconheceu nesta terça-feira (16) a existência de casos de pedofilia cometidos por padres no Brasil. O porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi, desmentiu que os envolvidos sejam bispos.

"Eram padres", disse Lombardi, sobre os acusados de abusar coroinhas no município de Arapiraca, interior de Alagoas. O porta-voz também reconheceu que dois dos três religiosos envolvidos possuem título de monsenhor, embora sejam simples padres.

"Foi confirmado que nenhum dos três envolvidos era bispo. Um deles foi afastado da paróquia e será julgado pela justiça civil. Os outros dois foram suspensos de suas tarefas eclesiásticas e estão sendo submetidos a um processo canônico por suspeita de pedofilia, mas até agora negam tudo", disse o porta-voz do Vaticano.

O advogado do padre disse que as relações sexuais filmadas foram consentidas, e o mesmo rejeitou que o caso fosse tratado como pedofilia. Ele ainda acusou os jovens de tentarem extorquir o padre, tendo até assinado documento no qual se comprometiam a não divulgar o vídeo.

Os supostos crimes cometidos no Brasil se somam à série de denúncias contra católicos em diversas partes do mundo. O Vaticano tem acompanhado de perto tais casos e nos últimos meses se reuniu com as cúpulas eclesiásticas da Irlanda e da Alemanha, países em que estão concentradas partes das acusações.




Atrás da Sacristia, o segredo. Uma imagem perturbadora. Sexo, intrigas e poder na Igreja Católica. O altar e o crucifixo como testemunhas. Mentes traumatizadas. Lembranças que persistem. Pesadelos intermináveis. O ensino sagrado, evangelho e a formação do caráter de jovens. Pretexto para se aproximar de meninos que achavam que ser coroinha era o caminho mais curto até Deus? O verdadeiro caminho do calvário. A inocência negada. Proibida. Violentada.


Nossa investigação começa quando temos acesso a um vídeo, entregue por um morador de uma cidade de Alagoas. Cenas que revelam uma face obscura da fé. No fundo, o altar de uma casa construída com o dinheiro dos fiéis. Na cama, um padre. O sacerdote em ato sexual com um jovem. Ao final, o padre se assusta ao perceber que tudo estava sendo registrado.

Arapiraca, duzentos mil habitantes, a segunda maior cidade do estado de Alagoas. Como em tantos lugares do interior do país, a igreja exerce colossal influência na vida da comunidade. O padre trata-se de um dos religiosos mais conhecidos na região. De seus oitenta e dois anos, cinquenta e oito são de sacerdócio e vinte a frente da Paróquia de São José. Mesmo aposentado continua celebrando missas e casamentos pelo enorme prestígio. Camisetas foram vendidas para arrecadar dinheiro para a construção de uma casa para ele. Os fiéis de Arapiraca o enxergam como um verdadeiro santo.


A suposta vítima um ex-coroinha que aparece no vídeo mantendo relações sexuais com um Monsenhor de Arapiraca. Hoje ele diz que tem consciência do mal que o assombrou durante oito anos. Mas a fé, até então inabalável, foi sendo pouco a pouco substituída por outro sentimento. Revolta. Localizamos também quem filmou as imagens. Trata-se de outro ex-coroinha que também disse que foi vítima do padre, com doze anos. Hoje, com vinte e um anos, ele diz que resolveu dar um basta. O ex-coroinha aproveitou que o portão da casa estava entreaberto e com uma câmera na mão registrou a tarde de orgia e luxúria do padre. As imagens sugerem uma relação consentida, mas o ex-coroinha conta que os abusos começaram quando ele era apenas um menino.


O Monsenhor aceita conversar com Cabrini diante de nossa câmera. O crucifixo, no peito, é seu Senhor e Mestre. Ele nega o excesso de casos de pedofilia na cidade, que dizem. Afirma que o padre comete um pecado mortal, mas que pode se arrepender. Declara também não conhecer nenhuma caso de abuso de crianças ou coroinhas. No momento mais tenso da entrevista Cabrini pergunta se ele já abusou de algum coroinha. O padre não afirma e não nega. Apenas diz que o único que pode saber de seus pecados é seu confessor. Após ser questionado pede que Roberto Cabrini saia de sua casa.



Mais um sacerdote aparece no escândalo, citado pelo ex-coroinha. É uma padre responsável pela Igreja mais importante de Arapiraca. Vamos ao encontro dele em sua casa. Desconfiado, ele quer se certificar que a conversa não está sendo gravada, batendo no peito de nosso produtor à procura de microfones. Seu comportamento é estranho para uma pessoa supostamente inocente. Ele nega todas as acusações e ainda tenta passar a imagem de um padre dedicado.

Abusos ou relações homossexuais? Padres em pecado ou garotos atrás de dinheiro? Padres e coroinhas...um relacionamento atrás da sacristia.

sábado, 13 de março de 2010


Bento 16 autorizou padre acusado de abusos a reassumir funçõesO porta-voz vaticano, Federico Lombardi, denunciou a existência de uma tentativa "fracassada" de envolver o papa Bento 16 nos casos de pedofilia da Igreja Católica da Alemanha.

Em comunicado divulgado neste sábado (13) no site da Rádio Vaticano, o porta-voz da Santa Sé reiterou que Joseph Ratzinger não sabia do caso do quando autorizou que um sacerdote com antecedentes de pedofilia e que tinha sido expulso por esse motivo do bispado da cidade alemã de Essen, conduzisse atividades pastorais em Munique.

O incidente, na década de 80, veio à tona nesta sexta-feira, publicado pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung.

“É evidente que nos últimos dias alguém buscou, até com certo empenho em Regensburg e em Munique, elementos para implicar pessoalmente o Pontífice nos casos de abusos. Para qualquer observador objetivo, está claro que estes esforços fracassaram”, afirmou o comunicado.

“Apesar da tempestade, a Igreja vê um bom caminho a ser seguido. Como já tivemos oportunidade de observar, esperamos que este tormento possa ajudar toda a sociedade a melhorar proteção e formação da infância e da juventude.”A informação divulgada ontem pelo jornal alemão veio depois de Bento 16 se reunir no Vaticano com o chefe dos bispos da Alemanha, Robert Zollitsch. O religioso foi convocado pelo papa para informar em primeira mão sobre os casos de abuso ocorridos nas décadas de 1970, 1980 e 1990. Estima-se que mais de 350 crianças foram abusadas.

O presidente da Conferência Episcopal Alemã também se reuniu com a Congregação para a Doutrina da Fé, que estuda adotar novas normas em todo o mundo para enfrentar os escândalos dos padres pedófilos.

O porta-voz do Vaticano afirmou que a linha de Ratzinger para lidar com a pedofilia sempre foi "a do rigor e da coerência", enfrentando as situações mais difíceis também em sua época como responsável da Congregação para a Doutrina da Fé.

Vaticano

Vaticano vê esquema para ligar papa a pedofilia

SMK  |  at  11:51


Bento 16 autorizou padre acusado de abusos a reassumir funçõesO porta-voz vaticano, Federico Lombardi, denunciou a existência de uma tentativa "fracassada" de envolver o papa Bento 16 nos casos de pedofilia da Igreja Católica da Alemanha.

Em comunicado divulgado neste sábado (13) no site da Rádio Vaticano, o porta-voz da Santa Sé reiterou que Joseph Ratzinger não sabia do caso do quando autorizou que um sacerdote com antecedentes de pedofilia e que tinha sido expulso por esse motivo do bispado da cidade alemã de Essen, conduzisse atividades pastorais em Munique.

O incidente, na década de 80, veio à tona nesta sexta-feira, publicado pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung.

“É evidente que nos últimos dias alguém buscou, até com certo empenho em Regensburg e em Munique, elementos para implicar pessoalmente o Pontífice nos casos de abusos. Para qualquer observador objetivo, está claro que estes esforços fracassaram”, afirmou o comunicado.

“Apesar da tempestade, a Igreja vê um bom caminho a ser seguido. Como já tivemos oportunidade de observar, esperamos que este tormento possa ajudar toda a sociedade a melhorar proteção e formação da infância e da juventude.”A informação divulgada ontem pelo jornal alemão veio depois de Bento 16 se reunir no Vaticano com o chefe dos bispos da Alemanha, Robert Zollitsch. O religioso foi convocado pelo papa para informar em primeira mão sobre os casos de abuso ocorridos nas décadas de 1970, 1980 e 1990. Estima-se que mais de 350 crianças foram abusadas.

O presidente da Conferência Episcopal Alemã também se reuniu com a Congregação para a Doutrina da Fé, que estuda adotar novas normas em todo o mundo para enfrentar os escândalos dos padres pedófilos.

O porta-voz do Vaticano afirmou que a linha de Ratzinger para lidar com a pedofilia sempre foi "a do rigor e da coerência", enfrentando as situações mais difíceis também em sua época como responsável da Congregação para a Doutrina da Fé.

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